A S Alves & Claudino Romeiro

Esferas da Colecção Astronómica

 
As esferas contam-se entre as peças da Colecção de mais elevado valor estético. Porém, também as esferas tinham uma função científica, servindo para representar o Universo, em exacta proporção, ou para efectuar transformações numéricas entre quantidades, de modo semelhante aos antigos computadores analógicos. São seis a esferas que fazem parte da Colecção Astronómica, todas elas em bom estado de conservação.

Esferas da Colecção Astronómica

Duas esferas armilares, uma com planetário, outra sem planetário

As esferas armilares foram construídas tanto como instrumentos de observação, como modelos do Universo, formadas em ambos os casos por anéis (em latim armillae) e dotadas de dois movimentos de rotação. As presentes esferas são modelos do Universo e do Sistema Solar. No interior estão representados o Sol e os planetas conhecidos na época do seu fabrico, isto é, até Saturno. Este sistema pode mover-se através de um conjunto de rodas dentadas. Exteriormente, está uma representação da esfera celeste através de anéis que representam o Equador (graduado entre 0 e 360º), a Eclíptica (graduada entre 0 e 360º), os trópicos e os círculos polares. Esta representação é móvel permitindo as duas rotações que materializam os ângulos usuais como a latitude e a longitude. Na parte fixa da esfera destaca-se um limbo horizontal graduado em quatro secções de 90º tendo marcadas as constelações do Zodíaco e os meses do ano. Na base da parte fixa encontra-se uma bússola.

Esfera Armilar com Planetário

A esfera armilar dá uma representação exacta das posições celestes, do ponto vernal, dos equinócios, etc. Permite a conversão entre diferentes coordenadas usadas em Astronomia, sem necessidade de cálculos. Conhecida desde a Idade Média, a esfera armilar tornou-se num símbolo do conhecimento que foi e é usado frequentemente como elemento decorativo em documentos ou edifícios associados ao estudo.

Diâmetro da esfera: 230 mm
Fabricante: George Adams, Londres
Construída em
1775-81

A não inclusão do planeta Urano, descoberto em 1781, faz supor que a esfera foi fabricada estritamente antes desta data.

Existe uma segunda esfera em tudo igual, excepto no planetário.

Esfera em Jaspe

Esta esfera é essencialmente uma representação do céu contendo os círculos habituais: Equador celeste, Eclíptica, trópicos de Câncer e de Capricónio, círculos polares. O material usado e a comparação com outras representações do Universo faz crer que esta esfera tenha sido concebida mais para uma finalidade artística do que como um instrumento de trabalho com o rigor, v. g., da esfera armilar.

Diâmetro da esfera: 180 mm
Fabricante: desconhecido
Construída
antes de 1810

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Esfera Celeste

Representação da Esfera Celeste indicando as principais estrelas visíveis a olho nu e destacando as mais brilhantes. O globo é susceptível de dois movimentos, um dos quais permite inclinar o eixo celeste e o outro a rotação em torno deste eixo. Vem acompanhado de um quadrante destinado a executar medições de coordenadas celestes sobre o próprio globo.

Diâmetro da esfera: 455 mm.
Fabricante: William & Samuel Jones, Londres
Construída em
1799

Restaurada pela Fundação Gulbenkian.

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Esfera Terrestre

Representação esférica da Terra tal como era conhecida na época. O globo é susceptível de dois movimentos, um dos quais permite inclinar o eixo terrestre e o outro a rotação em torno deste eixo. Vem acompanhado de um quadrante destinado a executar medições de coordenadas geográficas sobre o próprio globo.

Diâmetro da esfera: 455 mm.
Fabricante: William & Samuel Jones, Londres
Construída em
1800

Restaurada pela Fundação Gulbenkian.

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Esfera de Costa Lobo

Esfera destinada à transformação de coordenadas nos cálculos dos fenómenos solares, tendo sido construída com o diâmetro exacto de 573 milímetros para que meio milímetro sobre o arco de círculo máximo corresponda a uma décima do grau ou 6'. Mais informações: A Esfera de Costa Lobo

Diâmetro da esfera: 573 mm
Fabricantes: Arsenal da Marinha, a esfera; Instituto Superior Técnico, a armação metálica
Construída
em de 1928

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A. S. Alves
Director do Observatório Astronómico
Email: asalves@merlin.mat.uc.pt
Claudino Romeiro
Técnico de Observações Astronómicas do Observatório